A PORTOGRAFIA - Associação Fotográfica do Porto é uma associação de direito privado, fundada em 30 de Junho de 2009, tendo como objectivo promover a divulgação da fotografia, organizar encontros de associados, exposições, concursos e colaborar em iniciativas da comunidade em que se insere e regula-se por ESTATUTOS que foram outorgados em notário e publicados em Diário da República em 30 de Junho de 2009.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

JÁ POR AQUI ANDEI, E TENHO FOTOGRAFIAS...






























ESTALEIROS DE SÃO JACINTO






Os Estaleiros de S. Jacinto, fundados em 1940 em Aveiro, foram um pilar da construção naval portuguesa, iniciando a laboração plena em 1945 após a 2ª Guerra Mundial. Especializados em navios de pesca, construíram embarcações icónicas e atingiram mais de 600 trabalhadores em 1975, impulsionando a economia local, mas encontram-se actualmente devolutos. 


O que nos conta João Pires Simões

S. Jacinto era para mim uma miragem. O meu Pai, embora civil, era o chefe das oficinas mecânicas da Base Aérea. A minha mulher tinha em S. Jacinto uma tia/madrinha. Lembro-me de fazer reuniões com a administração da EPA, onde estava presente o Sr. Moutela, como representante da “Fundação Roeder”. Por tudo isto e não só, considero lamentável que Aveiro tenha perdido uma Empresa desta dimensão, que chegou a empregar 700 pessoas.

O Sr. Carlos Roeder, representante dos motores diesel “Guldner”, convenceu o Sr. Egas Salgueiro a motorizar os lugres, já que começava a ficar obsoleta a pesca do bacalhau à custa do vento! E fê-lo cedendo os motores a crédito. O Sr. Egas Salgueiro retribui concedendo-lhe uma quota na E.P.A., na qualidade de consultor técnico.

Em 1940, quando foram fundados os estaleiros em plena Segunda Grande Guerra, a actividade não se confinou  à construção naval. O Sr. Carlos Roeder, que tinha cursado Engenharia na Alemanha, calculou ele mesmo o hangar para a base militar de S. Jacinto, então pertencente à Marinha, com um vão de 60 metros, destinado a abrigar os hidroaviões instalados nesta base. Foi ele o introdutor em Portugal da soldadura eléctrica.

Enquanto consultor da EPA, Carlos Roeder, em 1935, mandou construir na Dinamarca, para a empresa de pesca, o arrastão de pesca à linha Santa Joana. Em 1939, foi a São Pierre et Miquelon comprar como sucata o navio Spitzberg, pertencente à empresa de pesca La Morue Française, destruído por um incêndio.

A situação de guerra que então se vivia, fez com que os estaleiros navais só começassem a laborar plenamente após o final deste conflito, ou seja, a partir de 1945. As primeiras grandes construções foram o hangar de São Jacinto, anteriormente referido, e a recuperação dos salvados do Spitzberg, que deram origem a uma nova embarcação baptizada com o nome de «Santa Princesa». Em 1951 executou, com 10 anos de avanço, o primeiro “ Jumboising” em Portugal, que consistia em cortar um navio e aumentá-lo para incrementar a sua capacidade de carga.

Construiu em 1958 o Rio Alfusqueiro, também  como navio de pesca à linha, mas em aço, posteriormente transformado para a pesca de arrasto lateral. Para a pesca de arrasto costeiro, construiu em 1958 o Rio Cértima. Em 1964, embora no cais da EPA na Gafanha e em colaboração com o nosso Chefe Teotónio França Morte, transformou  o clássico Santa Mafalda, que tinha sido construído em Itália.

Em 1965, construiu dois navios gémeos, o Santa Isabel e o Santa Cristina, projectados pelo arquitecto naval alemão Conrado Birkoff.

Mais tarde, transformou o Santa Mafalda de popa, construído na Lisnave.

Em 1982, foi o único estaleiro em Portugal a concretizar o projecto “Campbell” de San Diego, com a construção de dois atuneiros oceânicos de alta tecnologia, com helicóptero a bordo, para a pesca do cerco de atum, sendo estes navios baptizados de Tuna Madeira e Tuna Açores, construções respectivamente 142/143, para 11.200 toneladas, com um novo desafio, que consistia em soldar uma parte do casco em ferro com parte estrutural superior em alumínio. Para tal,  foi necessário mandar vir do norte da Europa barras bimetálicas para execução do trabalho.




















Rumando para sul e deixando o braço de ria de S. Jacinto, dá-se uma vista de olhos ao que há pela GAFANHA.










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